Na moral

Os mineiros do Jota Quest lançam cd novo intitulado Funky Funky Boom Boom com pegada dançante e preparam nova turnê que promete “causar” com um repertório impecável. 

A banda é sucesso absoluto há anos no mainstream brasileiro.  

 

O princípio da década de oitenta é considerado por especialistas como a era de ouro do rock brasileiro. Se consolidava o fim da ditadura militar com a abertura democrática, a campanha Diretas Já, e o Plano Cruzado estava em evidência. Bandas com um perfil rebelde sacudiam o país, rompendo de vez com as amarras do sistema. As bandas nacionais despontavam e ocupavam cada vez mais espaço na programação das rádios, nos programas de auditório  e até mesmo no cinema, ocupando um lugar que até então era quase que exclusivo das atrações internacionais. Eram bandas ousadas e acima de tudo contestadoras. Infelizmente Minas Gerais não fazia parte desse cenário. Contudo, o sucesso rápido e desenfreado foi o pior inimigo dessas bandas, causando brigas, separações e o fim de grande parte delas.

O retrato do final da década de oitenta era desanimador. Foi então que tudo mudou no início dos anos 90, e mais precisamente em 1993 o “rock Brasil” começava a ferver novamente. Depois de um período de “certo vazio”, bandas como os Raimundos, Planet Hemp e Skank começavam a despontar nacionalmente. Paralelamente, em Belo Horizonte, o cenário não podia ser melhor. Tudo aquilo que não acontecera no boom dos anos 80 em Minas, estava acontecendo nos anos 90!

Bandas de todos os tipos, tocando em todos os lugares. Festas universitárias, galpões alternativos, “inferninhos sagrados”, e dentro deste turbilhão surgia o Jota Quest.  Batizada inicialmente  de “J.Quest”, com o “J” pronunciado em inglês (somente  em 1998 o nome  “Jota Quest” foi oficializado),  a banda tinha os primeiros ensaios com Paulinho Fonseca (bateria), PJ Diniz (baixo) e Marco Túlio Lara (guitarra). Posteriormente foi integrado ao time Márcio Buzelin (teclado) e por último Rogério Flausino (vocal).

O segredo do sucesso do Jota Quest é que, desde o seu nascimento, a banda encontrou sua pegada através de uma mistura sonora peculiar acrescentando black music ao rock e ao pop. Esse “tempero” tornou-se então o grande diferencial de sua música e, mergulhados nesse ambiente promissor da capital mineira ao longo dos anos de 94 e 95, a banda construiu repertório e sonoridade próprias e, no segundo semestre de 95, registraram suas canções em seu primeiro álbum independente o “J.Quest”. Esse álbum foi o passaporte para que, em janeiro de 96, após assinar contrato com a Sony Music, os mineiros embarcassem para São Paulo para a gravação de seu primeiro CD por uma grande gravadora.

Produzido por Dudu Marote e gravado nos estúdios Mosh, “J.Quest” (1996) traz o que a banda havia acumulado na bagagem ao longo de seus primeiros anos de estrada. A participação de Toni Tornado, ícone da black music nos anos 70, foi determinante. A partir daí, pela primeira vez, a banda rodaria o país de ponta a ponta, promovendo o seu primeiro álbum.

A vocação e a paixão pela “estrada” ficou  evidente e com isso a popularidade dos meninos do Jota aumentava a cada dia. O mais bacana desses mineiros é que em suas apresentações ao vivo, sempre se mostraram entusiasmados como se aquele fosse o mais incrível show de suas carreiras. Simplesmente não existe tempo ruim com os rapazes do Jota. O enorme talento e essas características os levaram aos álbuns seguintes.

A partir do segundo CD ”De Volta ao Planeta…” (1998) o agora rebatizado “Jota Quest” apresentou uma sonoridade mais diversa. Canções, rocks e o pop aliaram-se ao groove do primeiro álbum e, ao final de dois anos de turnê, o CD atingiu a impressionante marca de  800 mil cópias vendidas. Os resultados positivos, a mistura sonora e a identidade marcante da banda apontavam para o que viria a ser uma longa e bem sucedida carreira. A partir dai seguiram-se os álbuns: Oxigênio (2000), Discotecagem Pop Variada (2002), MTV Ao Vivo (2003), Até Onde Vai (2005) e, finalmente, os mais recentes La Plata (2008), Dias Mejores (2010), Quinze (2011).

Durante os quase vinte anos de carreira, o Jota Quest se apresentou no “Brazilian Day”, em Nova York para mais de 100 mil pessoas com transmissão ao vivo para 150 países; realizou em parceria com o Greenpeace o primeiro show movido a energia solar da América Latina em Florianópolis e colecionou prêmios importantes como o de Melhor Grupo no Prêmio Multishow de Música Brasileira e também no Vídeo Music Brasil da MTV em 2006 e o de Melhor Cantor no Prêmio Multishow para Rogério Flausino em 2007.

Agora, com o lançamento do CD Funky Funky Boom Boom em novembro passado, a banda se prepara para uma nova turnê. Foi nesse clima de euforia e muito alto astral que os rapazes do Jota Quest receberam nossa redação, em seu estúdio, para uma tarde de bate papo sobre temas como música, o prazer pelo palco, a afinidade entre seus integrantes, amizade, família, política e o futuro de uma das bandas mais talentosas e veneradas do país. Simplesmente Na Moral!

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